segunda-feira, 17 de maio de 2010

Saint-Louis




















SAINT-LOUIS!!!

- No caminho para a ex-capital da África Ocidenal francesa paramos para conhecer o Lago Rosa, um lago bonito, meio rosado (e dependendo da época fica muito rosa), fruto da quantidade de magnésio que existe lá. Metade dele é sal, então vemos muitos montinhos com plaquinhas. Engraçado! O lugar arenoso nos fez literalmente para lá: ficamos atolados! Se estivéssemos num Raly Paris-Dacar já teríamos perdido. Justamente nesse local terminavam as corridas.

Depois de algumas horas chegamos à São Luiís, um lugar pobre, sem muita estrutura, muita gente na rua e os peixes mal-acondicionados, jogados nas calçadas, perto de pneus e lixo. Como é uma cidade tombada pela UNESCO, nada pode ser modificado, mas bem que poderiam restaurar. As casas são muito mais coloridas que em Dacar, porém, mais destruídas. As portas das casas ficam abertas, porque o Senegal é famoso pelo Teranga, ou seja, pela hospitalidade que permite tu entrares na casa de alguém conhecido para filar um rango!! As pessoas na rua não permitiam ser fotografadas, nem filmadas, mas o fiz clandestinamente, com a câmera no colo. Estranho, não sei o porquê. Talvez em troca de dinheiro, não sei, pois fizemos um tour pela cidade de carroça e não conversei com as pessoas de lá. O que o guia falava eu não entendia muito bem. Era um guia muito inteligente, sabia muitas coisas (tanto do Senegal, como de outros países), muito estudado, falava muito bem o francês, inglês, alemão e um pouquinho de italiano.

Vejo muita gente esforçada aqui. Eles dizem que não fazem aula, apenas ficam lendo revistas ou revisando o que já aprenderam na escola, sozinhos, em casa, revisando e revisando. Na rua, eles tentam falar qualquer língua contigo, justamente para praticar e não esquecer. Eu vejo isso como uma cultura deles, de tanta gente que já veio falar outros idiomas comigo e que comentam que aprenderam lendo cadernos e livros em casa.

Voltando a Saint Louise, gostei muito da noite que tivemos lá, num píer em frente ao hotel tipicamente árabe (o hotel aparece numa foto acima). Foi muito agradável e divertido. Visitamos também o Parque Djoudj, onde pegamos um barquinho (que poluia muito a água) e nos levava a ver muitos pelicanos africanos, ou seja, enormes! Vimos também crocodilos, cobras na água e javalis.Quase um mini-safari-aquático!hehe! Me emocionei com os pássaros! Foi difícil o acesso, mas valeu a pena. No caminho, vimos lavadeiras nos rios (sempre tinha uma que ficava de pé controlando para ninguém do carro-de-turistas tirar foto, enquanto as outras continuavam a ensaboar/lavar) e uma vegetação igual a do cerrado brasiliense.

Já no caminho entre Dacar e São Luis, vimos uns gados muito magros e mal cuidados ("ainda bem que não como carne", pensei na hora!), cajueiros, cana de açúcar, algodoeiro e mangueira. Experimentamos o café senegalês! Intomável!! hahaha! Muito doce! Numa foto acima podem ver um baobá (árvore sagrada, conhecida por guardar o conhecimento)que não pode ser cortado e ficou no meio da casa! Cheguei a entrar num quando paramos no meio da estrada só para admirá-lo. O Marcão tem essa foto. Vimos também muitas casas em construção, não terminadas, o que nos espantou. O guia disse que a licença que o governo te dá para o terreno depende se estás ou não utilizando o espaço. Então cada ano eles fazem uma parte da casa, um muro ou qualquer coisa para não perder a propriedade que será, um dia, dos filhos.

O guia também era muito engraçado e cheio de filosofia. Ele nos disse: "Um homem velho sentado vê mais que um jovem de pé", se referindo às experiências que precisamos escutar e respeitar de um senhor de idade. E completou: "A fala de uma pessoa idosa vale mais que dinheiro". Sua piada-mor tem a ver com uma bricadeira fonética em francês, já que cul quer dizer bunda e bas, baixa: "Qual o presidente que tem o maior suspensório (les bretelles) do mundo? Fidel Castro, pois ele tem Cul-bas (pronuncia-se; Cu-ba)!"

No meio de maio a cidade acolhe o Festival de Jazz, que terá um grupo brasileiro se apresentando. A cantora se chama Denise Reis. Acho que não terá lugar no carro pra eu ir junto. A galera do Couchsurfing irá pra lá também acampar no fim de semana, mas acho que ainda não estou tão bem assim para aventuras e peripécias selvagens. haha!

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