19/03/2010
Muito altos!!
- Senegaleses são muito
altos. O Marcão disse que se acha baixo aqui. Muitos passam dos dois metros. Esse da foto era de uma imobiliária e sua cabeca quase batia no topo da janela!!!!! As mulheres são da minha altura, mais ou menos. Mas ontem vi duas caminhando que pareciam de dois metros! Usam roupas elegantes. Vestidos longos, meio justos. Vestidos curtam não há. E agora, mãe, o que faço com o pretinho florido? Vou costurar de novo aquele pedaço! Hehe!! Muita mulher também usa calça e blusa. Não há quem use shorts ou saias curtas na rua.
- É engraçado ver as pessoas
fazendo exercício correndo nas ruas/calçadas no meio das outras que estão passando. Como não há lugares específicos para correr, eles o fazem no meio de tudo! Ontem vi uma cena bizarra: na calçada um homem fazia agachamento!!! Subia e descia. Subia e descia. Imagino que seja por exercícios!
Camelôs aqui?
Onde não tem? Hahahaha!! Por tooda cidade tem camelôs!
O comércio é de camelôs! rs!
- Imobiliária ligou fechando negócio! Ufa! Hoje chega no porto o container com nossas coisas! A parede do apartamento é um tanto bizarra, mas quem se importa: salmão-rosado!!! hahaha!
- Hoje tentei falar uma frase em wolof e as camareiras me ajudaram!
Ñaan xerit ñów fit tey: Carlos a Gustavo. (dois amigos virão hoje aqui: Carlos e Gustavo.) Suba (Até amanhã). Salaamalecum. Malecumsalaam (é para cumprimentar, como se fosse bonjour).
- Almoço em casa para economizar. O fim de semana será agitado, com muitos
passeios turísticos.
18/03/2010
- acordei supertarde. Deixei as camareiras esperando... Internet de manhã. Fiz massa em casa para almoço.
- Caminhei um pouco pelo centro da cidade. Achei uns cartazes sobre programação cultural e me interessei. Havia mesas sob uma árvore e dois porteiros, com os quais conversei por muito tempo. Talvez uma hora ou mais. Perguntei do que se tratava aquele prédio e perguntei um monte de coisas.
Eles só tiravam sarro! Foi divertidíssimo! O povo aqui é muito alegre. Passou um homem engravatado e eles disseram que era o professor de dança afro. Eu disse: então fala pra ele que eu quero fazer aula. Eles não disseram nada. O cara olhando, olhando. Eu fui falar com ele e os porteiros pararam: não! Esse é professor de francês! Hahahaha!! Ali aconteciam as aulas do Instituto Francês!
- Encontrei Marcão na rua, indo para Imobiliária negociar. Fui junto e fizemos nossas solicitações.
Visita à universidade!
- Peguei um táxi e negociei o preço pra ir à universidade. Aqui tudo tem que se negociar muito. Ele pediu 2.100 francos e saiu por 2.000. Perguntou a que lado da universidade eu queria. Eu não fazia a menor ideia. Optei por um. Peguei o mapa e acompanhei o trajeto. Estava tudo muito legal o tour de táxi pelo centro, mas quando passou pelo canal, nossa! Cheirão de esgoto. Chegando perto da universidade, ele começou a perguntar várias vezes onde eu queria parar. Dizia: no portão um, dois, três, qual? Rapidamente respondia: UM! E lá dentro ele perguntava: direita ou esquerda??? Ora dizia à esquerda, ora achava melhor a direita!! Quando vi um prédio que parecia algo concreto, disse: é aqui! Hahahaha!! Saí do táxi, entrei rápido e firme no prédio. Li uma placa que parecia algo sobre agricultura. Pensei: meu deus! Subi as escadas. Vi muitas pessoas de caderno na mão, estudando, lendo. Muito legal. Tinha um auditório de portas abertas e entrei. Fiquei lááá no fundo. Era uma
aula de francês da faculdade de letras, segundo um carinha de língua presa que mexia no computador. Muita gente com laptop zanzando pela faculdade. Ao lado dele, tinha uma menina que não falou muito comigo. Ele perguntou de onde eu era e após a resposta disse com um sorriso: Ronaldinho! Ele me explicou o que estava acontecendo: uma
manifestação dos estudantes de letras pedindo greve porque o preço do curso estava alto demais. Os estudantes tomaram o microfone da professora e começaram a protestar. Sentei numa cadeira e fiquei lá olhando a manifestação e depois que parou, assisit à aula.
- Chamei aquela menina que estava lá trás. Sentou do meu lado e começamos a conversar. Ela se chama
Fanta, tem 4 irmãos, mora na periferia de Dakar. Na época das chuvas de verão, cai muita água, mas a casa dela não inunda, me dizia. Mostrei no mapa as peculiaridades do Brasil e do clima. Disse-me que seu pai morreu há 5 anos, sua tia vendia roupas típicas da África, os boubous (as túnicas divertidas!!). Conversamos mais de hora em francês. Quando apertava, recorríamos ao dicionário de bolso que levo sempre comigo e ao espanhol que ela aprendeu por 3 anos na escola. Ela adora viajar e me mostrou várias cidades do Senegal que já foi. Sua irmã mora na Holanda. Ao final, me perguntou se eu tinha interesse em um dia ir conhecer a sua região. Claro! Marcamos uma data, mas chegando em casa o Marcão disse que iríamos a Saint Louis, a antiga capital do Senegal naquela mesma data. Saímos as duas do auditório caminhando pelo campus em direção à rua. Estava tuuudo empoeirado. Muito pó mesmo!!!! Não chove há tempos aqui. O céu é branco/cinza claro. Ela chupava um saquinho transparente. Perguntei o que era: água para os estudantes que economizam, as garrafas grandes são mais caras. Tirei umas fotografias. Ela era tímida e ficava com vergonha. No lugar que ela escolheu, tiramos uma nós duas. Ela parou um táxi pra mim e negociou por 1.200 fcfa. Combinamos de nos ver hoje, mas me ligou cancelando. O taxista da volta escutava um zouk em português e em crioulo de Cabo Verde. Ele era de Conakri. Deu pra perceber que não era senegalês pelo formato do rosto.

El Bidew
- tomei banho e lavei bem a cara, porque é só o que penso quando volto da rua! Marcão e eu fomos de táxi para o El Bidew, restaurante do Instituto Francês. Eu tinha combinado com o
Marco, da Bolívia, e o
Dev, da Índia, que fazem parte da comunidade Dakar do Couchsurfing.com. O Marco levou mais uma amiga francesa. Foi divertido. O Dev entende francês, mas só fala em inglês. A menina igualmente entendia inglês, mas não falava. Então ficou uma confusão! Tomei suco de baobá! Doce, parece cupuaçu. Aliás, não falei, mas tem cada baobá aqui! Segundo Marcão, tem até uma floresta de baobás. Marquinhos, vem conhecer!
Tem um baobá muito grande que ficou no meio da rua, ou seja, fizeram uma rua ao redor dele, mas bem toscamente, então se tu não sabes que terá uma árvore ali no meio da rua e estiver em alta velocidade, adiós muchacho! Voltando à noite, o Dev fazia piadinhas várias sobre as festas que vai. Ele só estuda marketing e não quer trabalhar. Também não quer aprender wolof, nem francês direito, apesar de admitir que seja importante. O Marco é o simpático, risonho, simples, trabalha com arquitetura junto com a francesa e outros senegaleses que falam wolof o tempo todo. Eles estão aprendendo algumas coisas. Já estão em Dakar há 4 meses para um projeto especial, já que aqui os arquitetos não possuem muito know-how em decoração. Chegamos cedo e dormimos cedo.
17/03/2010
Bancada moderna do bar do Novotel
- saí para almoçar no
Novotel. Decoração supermoderna. Tirei várias fotografias pra Rê. Foi engraçado, porque o buffet era caro: 14.000 fcfa (mais ou menos 53 reais). Então pedi o cardápio. Escolhi o prato sem muita confiança (como sempre até agora!) e o garçom me levou até o buffet e disse que eu tinha escolhido aqueles dois pratos, logo, poderia me servir daquilo apenas. Olhei para o buffet, para ele, pensei: ai meu Santo Daime! Haha!! Se eu soubesse que olhando o buffet eu escolheria algo, não teria pego aquele arroz amarronzado e aquele peixe estranho. Hahaha! Não tava muito bom e paguei caro. Faz parte!
- Outra coisa engraçada é que ao se pedir água num restaurante, eles trazem uma garrafa de 1,5 litro de plástico da marca
Kirène, com propaganda de alguma coisa: ou do próprio restaurante ou de um parque, um evento. Muito interessante! E, claro, aguática como sou, adorei.
- Vimos outros
apartamentos, bem mais velhos. Um pareceu muito fofo, no térreo de um edifício e numa rua fechada pela segurança da Embaixada da França. Tinha pátio, sala grande, mobiliado com o que quiséssemos, conta de luz e água pagas pela imobiliária, jardinzinho na frente. O problema é que era muito velho em comparação ao que já tínhamos visto. Não pegamos.
Restaurante La Fourchette
– Lugar transado, cheio de detalhes de designers, comida deliciosa com prato totalmente enfeitado – como os de concurso de chefs da tv. Comi um peixe com mil não-sei-o-quês. Em cima tinha um verdinho caramelizado, tinha até aquela ameixa azeda japonesa picadinha, molho escuro meio apimentado. Muito saboroso!!!!! O Marcão comeu bife, algo que parecia um mousse de cenoura e batatas assadas.
- estou sentindo falta de feijão, couve, ferro. Aqui, como na França, também é difícil de achar bolachas de água e sal.
As pessoas caminham nas ruas
- As calçadas são muito estreitas e parecem depósito de gente e lixo, com camelôs, casinhas que vendem de tudo e puxadinhos de pano que dão privacidade e mais calma àqueles que almoçam no restaurante improvisado. Portanto, não dá para caminhar muito pelas calçadas. Isso gera o tempo todo buzinaços dos carros para alertar as pessoas que estão chegando. Como é centro, é meio muvuca. Muita gente, ruas apertadas, carros passam devagar. Galera querendo vender de tudo. Tudo. Tudo. Segundo o Marcão, não podemos dar bola, se não, eles perseguem. Não passei por isso ainda. Eu acho tudo engraçado. Eles ficam insistindo e eu rio. Acho graça. E eles riem de volta e saem. Como sei que o Marcão não gosta, uma vez me estressei e falei grosso com o cara: s’il vous plait, merci!!! Na frente do aparthotel já vi o Marcão comprando de ambulante cartão de telefone e graxa para o sapato. Também já vi gente comprando gilete, panos, frutas (no meio daquele pó todo! Imagina a mãe aqui! he!), chá senegalês (ainda não provei) e um saquinho de açúcar.
-
as camareiras tentam me ajudar a falar em wolof!! Ensinaram umas três frases, mas não anotei e esqueci tudo! Hehe! São supersimpáticas, como todos aqui. Na rua as pessoas cumprimentam o tempo todo! Uma estudante africana disse uma vez na UnB que sentia muito essa diferença no Brasil, porque as pessoas não se cumprimentam na rua, passam reto, como se não te vissem, são mal-educadas.
Na África, não, todos se cumprimentam o tempo todo.
- O maior problema de adaptação é saber
até onde se cumprimenta as pessoas por educação e até onde não se cumprimenta para não virem atrás de ti e venderem coisas ou porque querem tirar alguma vantagem. Que bom que ainda não correram atrás de mim ainda.
16/03/2010
- Reservamos com a imobiliaria o apartamento maior.
- não almocei, porque queria ficar no aparthotel vendo emails, orkut, internet. Coisas que não fazia com tempo há tempo! he! Em cima da mesa tem uma pasta preta com várias dicas de restaurantes, com preços e telefones. O Marcão come sempre sobre sua mesa de trabalho. Hoje eu não queria fazer isso de novo. Ontem comi coisas asiáticas e não foram muito boas. É difícil entender o cardápio. Mas para isso que estamos aqui. Para aprender e aprender na marra! Não consegui ligar para o número que estava anotado. Não sabia que tinha que discar o 33 quando era telefone fixo. Bom, belisquei frutas, pão, água e suco. À noite sabia que íamos sair.
- na cidade tem cheiro de peixe e
muitos pássaros rondando no céu.
- sempre escutamos os
apitos dos navios.
- faz sol escondido pelas nuvens, calor, mas os pés ficam gelados pelo ventinho frio.
- dói a cabeça, não sei se é da falta de umidade, do cheiro de peixe forte, do pó ou dos outros cheiros da cidade.
Restaurante Big Five
- decoração em homenagem aos 5 grandes animais da África: elefante, leão, guepardo, rinoceronte e búfalo. Fui com Marcão, Suelen e Raquel (brasileiras que estão até o fim do mês trabalhando com o Marcão aqui). Comi um delicioso frutos do mar num prato em forma de casquinha de siri e uma saladinha de alface com molho não muito bom. Estava maravilhoso. Uma pediu peixe assado, outra massa penne. Os bancos e sofazinhos imitavam pele de zebra. Tinham várias esculturas africanas, pele de bicho na parede, cabeça de outros. Falando assim, parece macabro, mas não era, era muito bonito (fora a compra da pele do bicho).
15/03/2010 – Primeiro Dia
Marcão recebendo a Beta na sala vip do aeroporto!
- Marcão e Suleman me esperavam embaixo da escada do avião. Por isso não precisei de visto. Marcão e eu esperamos na sala vip com sofás de couro e quadros na parede o Suleman buscar minhas malas e as do Marcelo Preto (músico que veio a Dakar gravar umas músicas). Só faltou uma aguinha na sala. O calor estava de rachar e, mais que isso, o tempo estava muito seco. Tão seco que de cima do avião se percebia a vegetação coberta de pó/areia/terra. A vegetação é baixa e esparsa, lembra o cerrado de Brasília. Dizem que o clima também é parecido: no inverno faz seca e no verão chove muito. De cima do avião deu pra ver vários monumentos. Apesar da cidade parecer plana, esses monumentos estão em pequenos morrinhos e se destacam do resto. As casas cinzas de cimento, sem pinturas finais.
- O que vimos da praia era mar azulzinho e profundo. Com altas rochas fazendo o contorno. Sem areia (nessa parte da cidade).
- visitei o trabalho do Marcão. Pedimos uma comida e almoçamos lá mesmo. Fomos a uma imobiliária de um libanês que nos mostrou 3 apartamentos. Eram novos e muito bons. Só que não tinham bicos de luz, nem ar condicionado.
14/03/2010 - Embarque
Foi toda família: pai, mãe, Dudu, Rê, Maquinhos, Sr. Jair e Dona Wal.
Na sala de embarque sentei no meio de uma equipe de taewondo Senegalês, que foi competir no México e estava em trânsito por Guarulhos. Primeira dificuldade: não entendi o que elas falavam. Após muitos conselhos da família para não fazer isso, nem aquilo, fiquei quietinha no meio daquele agito todo. Eles vinham me cumprimentar e conversar comigo. Mas ali não saiu nada de francês. Nem de inglês. Bloqueei. Pensei: Xi, e agora? Fiquei tensa. No avião, senta um cara nos 4 bancos da frente e pergunta: fala português? Ufa, que bom! O avião da Turquish Airlines falava tudo em turco e inglês, só tinham duas gravações de decolagem e pouso em português. O guri puxou papo e foi divertido: ele tem namorada de Venâncio Aires, apesar de morar em Curitiba e estava fazendo aniversário naquele dia. Seu destino era Indonésia para surfar. Comida veio gostosa, usei a venda-de-lavanda que a Lú e o Marco me deram, me estiquei nas 4 poltronas e dormi.
Amigos pediram para contar tudo, as novidades, as comidas, o que eu estava fazendo por aqui. Então voilà! Seguem as notícias e as impressões de Dakar, no Senegal!!