- vi na sacada as duas sandálias que eu tinha lavado. Estavam mais sujam do que antes de lavar. Não se pode deixar nada “secando lá fora”! quando acordo abro as janelas para ventilar. Tomo banho, como e abro a porta. Digo: Salamalecum se as mulheres estão por perto. Se não, deixo um aviso na porta: “Prière de faire ma chambre”. Elas entram rindo, falando em wolof comigo, limpando e uma tirando sarro com a outra. Realmente o povo é muito divertido aqui. Hoje foram três. Aprendi muito. Peguei o livrinho de wolof na mão e fui andando com elas pela casa perguntando se a pronúncia estava boa. Aí, quando elas saiam do roteiro, me confundiam toda. Até encenações fizemos para compreender o que estava sendo dito. Pelo que entendi a “Jongama bi” é uma mulher jovem, formosa, de bunda grande e toda prosa. Elas usam uma corrente na cintura. Foi difícil de entender aquilo. Mas disseram que usam, mesmo por baixo da roupa, porque os homens gostam. E quanto maiores as bolinhas, ou as miçangas, mais eles gostam. Vai entender?! Haha! Estudei os números e frases prontas. O número 6 é juróom (5+) benn (1). Se no francês já tinha que fazer cálculos, no wolof é praticamente só cálculos. Os únicos números que existem são: tus (0), benn (1), ñaar (2), ñett (3), ñent (4) e juróom (5). O resto se calcula com adição, multiplicação. Fukk (10), téeméer (100) e junni (1000). Por exemplo: 127 = téeméer ag ñaar fukk ag juróom ñaar!! Hehe!!
YOGA
- liguei para um número de aula de yoga. Urru! Amanhã a noite tem! Só não consegui entender o nome do professor. E também não entendi quanto custava a aula. Mas deve ser 5.000 cfcf! O que deve dar quase 20 reais. Eu tinha entendido 100.000 e disse: é caro! Hahaha! Cada gafe!!!
- hoje veremos o contêiner ser aberto.
24/03/2010
- 61 meses de namoro!!! Parabéns pra nós! Dama la bëgg!!! (eu te amo!)
Torceu o pé!
- Dia de ócio total pra mim! Dormi, fiz almoço, li, dormi. Marcão foi correr e torceu pé. Aí descobrimos que não tínhamos gelo! A vizinha de cima Raquel trouxe o gelo. Cansada de ficar em casa, passei no quarto delas (da Raquel e Suelen), tomei um copo de vinho e olhei o fim do filme: Como perder um homem em 10 dias! Haha!! Aprendi e voltei logo! hehe! Fomos dormir supertarde. Ele olhando jogo do Corinthians pela internet gambarriada e eu limpando os emails e estudando francês. Olhei um filme falado e legendado em francês; anotei as palavras que não tinha entendido. Depois fui ao dicionário pesquisar.
23/03/2010
POEIRA!
- No céu ainda não vi nada que não fosse um nublado-branco-intenso. Uma neblina branca domina a cidade e não nos deixa ver longe. Não é uma cidade arborizada, bem da verdade. Tem boabás secos e coqueiros secos. Muita areia no chão e em forma de pó nos prédios e no ar. Basta sair do flat ou abrir a janela que sinto esse ar mais pesado. Na época da chuva, após fim de maio, acho que toda paisagem mudará.
- Hoje fiquei na internet. Pesquisando, aprendendo palavras novas em francês. Fiz macarrão integral com molho bolonhesa e saladão. Para ficar registrado aqui um super artista plástico australiano que vive na Grã-Britanha: Ron Mueck. Vejam vídeo dele no you tube. Nos links mostram outras edições sobre suas obras. Muito impactante!!!!
Num site vi coisas turísticas interessantes de Dacar (obs.: com “k” é o nome oficial aqui e com “c” é o nome aportuguesado). Para estrangeiros que querem vir fazer estágio aqui o conselho é talvez ir para o interior, menos barulhento, caro e poluído que Dacar: “Faire un stage à Ziguinchor, à Saint-Louis ou Tambacounda peut se réveler être une expérience plus enrichissante et en tous cas plus agréable que passer plusieurs semaines dans une ville bruyante, chère et polluée comme Dakar”. In: http://www.senegalaisement.com/senegal/travail_au_senegal.php
ÀS COMPRAS!- Raquel, Suelen Samara (que vão embora pro Brasil no fim do mês), Nina (carioca que vive há 29 anos em Dakar) e eu fomos às compras! Inferno!!!! Bem que a Nina disse: os turistas vêm uma vez a Dakar e depois de passar por isso, nunca mais querem voltar! Se eu já não gosto de sair às compras, dessa vez foi o ápice! Mas como fui sem pretensão de comprar, fui relaxada para o que viesse. E veio, veio muuuito atravessador, vendedor, gritador, empurrador, acompanhador, enchedor de saco! Hahaha! Os vendedores das lojas ficam dentro e os atravessadores ficam nas ruas e te acompanham o tempo todo para te levares lá. E não te deixam em paz, não param de falar, gritar e se empurrarem para ver quem ganha a venda. Af! Numa hora, tinham 6 vendedores em cima da gente. Parecia açúcar em formigueiro. Uma 25 de março no natal com monte de ambulantes em volta querendo ganhar o seu. Nós sabíamos que ia ser assim, então tiramos sarro, demos risadas, nos enraivecemos com uns, mas passava. Um cara queria vender um Korá (violãozinho típico - vide foto) e andou umas 5 ou 6 quadras nos enchendo o saco. Mas no fim foi engraçado. Depois de ter sido xingado pela Suelen em português, ele foi reclamar para a Nina: “Onde é que já se viu? Eu tô com dor de cabeça e ela ainda vem me xingar?!” haha! Nós é que estávamos com dor de cabeça de tanta zoeira. Outra cena engraçada foi do cartão de visita. Eu fiquei na porta porque não queria comprar. Um vendedor e um atravessador ficaram conversando comigo. As três lá dentro sendo sufocadas pelas ofertas incessantes, as roupas penduradas nas cabeças como se fossem ovos de Páscoa e o barulho das máquinas de costura enfileiradas nas paredes das lojas. Ao final da compra e de muito “sisach” (como diria meu pai), fingindo que íamos embora sem levar nada só para eles fecharem no preço que pedíamos, o atravessador passou seu cartão de visita e disse: "for business"! Na verdade ele era também um gigolô. Há muitos aqui. Rimos bastante, porque ficamos passando o cartão de uma para outra, tirando sarro e tal.
22/03/2010
Fanta e universidade de novo!
- Acordei cedo para ir à universidade. Tinha combinado com a Fanta. Descobri que sua etnia não é wolof, mas fulani. Eu também queria conhecer a biblioteca, estudar francês e descobrir onde era o curso de comunicação social. Peguei um taxista supersimpático, que mora em Dacar, mas é da cidade de Fatick Fatick images. Fatick google map
A etnia que prevalece em Fatick não é a wolof, como em Dakar, mas a Serer. Eles têm 4 dialetos. Os sereres são um dos maiores grupos étnicos de Senegal. Contou de toda sua família (2 irmãs e três irmãos, pai e mãe) mora com a família do seu tio, irmão de seu pai. Não sei se dentro de Dacar é assim também, mas fora da capital, as casas são grandes e acomodam muitas famílias. Ele não falava bem francês e confirmou que os taxistas geralmente são do interior e falam seus dialetos.
- o pessoal usa muito jeans na universidade. Li todos os panfletos da entrada da biblioteca, sentei num murinho e pedi um sanduíche de ovo numa lanchonete escura e bizarra. O sanduíche veio em forma de pequena baguete, enrolada num papel branco duro (tipo de padaria). Mandei torpedo para Fanta que veio logo. Conversamos um pouco e vi que não tinha trazido lápis ou caneta. Era o começo de uma odisséia. Para cada coisa que se quer comprar, tem que penar! E ela me ajudou a negociar e a dizer não, está caro... aí caminhamos um montão, passamos por caminhos de cimentos empoeirados, negociamos com outro vendedor ambulante, fizemos cara de quem não gostou, mesmo assim, levamos. he! Saber fazer uma boa cara de cu é muito importante para a negociação cotidiana senelagesa!
- GAFE MASTER!!!!!!
No meio desses vai e vens, pensei no apartamento que virá e que precisávamos de tapetes para encher a casa. De repente, vi um monte de tapetes no chão, de diversas cores, formas, tamanhos. Os homens de pé. Pensei rápido: caramba, que bom, estão vendendo tapetes na universidade! Disse sem pensar: "Regarde, Fanta!" Dei dois passos em direção a eles. Ela ficou parada. Quando vi que eles se abaixavam para rezar, quis morrer de vergonha! Pedi muitas desculpas a ela, que me disse não haver problema, porque eu não estava acostumada e que as culturas são diferentes. Uff!! Sentamos num murinho (porque não vi bancos para sentar) e ficamos conversando. Ensinei um pouco de português e ela adorou! Mostrei meu livro de francês e como se estuda a língua aqui. Ela teria aula de fonética às 16h, mas seria muito tarde pra mim. Me ajudou a pegar um táxi. Peguei um baita de um congestionamento. Cheguei morta em casa. Até dentro do táxi o pessoal insiste em te vender coisas. O taxista não sabia direito o caminho e me cansou mais ainda, porque não falava bem francês. No aparthotel, dormi, dormi, dormi.
- Marcão fechou contrato do apartamento novo.
21/03/2010 - dimanche
- Engraçado é que o artesanato é praticamente padronizado. Os quadros reproduzem os mesmos temas, com fundos de cores diferentes. As estátuas e decorações também são similares e clichês. A famosa mulher africana, magra, muitas vezes com uma barriguinha, e uma mão segurando um jarro na cabeça.
- Marcão levou eu, Campello e Kessel a pé para conhecer o Museu Etnográfico de Senegal. É muito interessante, mas vale mais a pena após ter estudado sobre as culturas, etnias e tal. Só depois ir lá para complementar os estudos, pois no museus não há muitas explicações. Alguns cartazem falam dos povos, de datas e de uma coisa ou outra. De qualquer forma, é muito interessante! Depois levamos os meninos ao aeroporto, passando pela Corniche (orla) e pelos monumentos que têm por lá.
- Ficamos em casa o resto do dia, descansado.
20/03/2010 - samedi
- História boa que escutei aqui de uma brasileira: sua irmã era enfermeira de um hospital de Belo Horizonte e num plantão viu um cara com dread na cabeça toda. Ele se queixava de muita dor de cabeça. Fizeram um raio-x. Detectaram um buraco no couro cabeludo. Para fazerem a cirurgia teriam que raspar seu cabelo todo. Foi então que detectaram um ninho de baratas! Elas haviam comido a cabeça dele! Nheck...
Ilha de Gorée!! - O Marcão colocou a mesa para o café da manhã. Tínhamos combinado de pegar o barco às 10h, mas chegando lá só conseguimos embarcar às 11h. Com a neblina forte, não conseguíamos enxergar nada além do mar que rodeava o barco. Vinte minutos estávamos lá, numa ilha superfofa, bonita, colorida, de chão de areia, pequena e florida. Mas os vendedores atacaram. O almoço foi muito gostoso, num restaurante com vista para o mar. Compramos vários quadros de pachworking lindos! Na hora de deitar na areia, a Raquel e Suelen já haviam chegado também, e foi o maior fuzuê! Tiramos a roupa e deitamos de biquini numa esteira alugada. Simplesmente todos os moleques (vão muitas crianças de escolas pra lá, porque tem o museu da escravidão e é um momento de lazer deles) se viraram para ver o evento. As branquelas sem roupa! hahaha!! O Campello disse que tirou umas fotos interessantes. As crianças estavam cobertas de areia, olhando fixo e vindo em direção a nós... parecíamos ETs! haha! Não ficamos muito e pegamos o barco de volta.
À noite, levamos Campello e Kessel ao La Fourchette!! Humm!! Delicioso!!! Descobrimos que o restaurante vira balada mais tarde. Engraçado. Um monte de libaneses, africanas, perto dum balcão, DJ, galera fumando dentro do bar. Estranho, pois achávamos que estávamos num programa super light, restaurante com os amigos e tal. Mas não tínhamos ido para o banheiro ainda, para o outro lado do balcão, nem ido nesse restaurante num sábado à noite! he!Divertido! Pena que fumam lá dentro.
Primeiro fim de semana em Dakar!
19/03/2010
O Marcão foi buscar o Gustavo Campello e o Carlos Kessel no aeroporto, e eu fui no Instituto Francês ver informações sobre aula de francês para mim e de wolof para mim e para o Marcão. Na volta, para variar, um cara começou a me acompanhar e não dei bola pro que dizia. Ele lançava um inglês. Eu disse em francês: não falo inglês, falo francês três bien. Rimos! Até uma hora que ouvi algo como: hoje eu vou tocar aqui. Ele carregava um violão pendurado nas costas. Aí, virei e perguntei onde e o que iria tocar. Não lembro o que falou, mas talvez não fosse tocar nada de concreto. Se dizia tocador de djambe e dançarino estilo senegalês. Pedi para demonstrar e ele representou um pouco com os braços e continuava me seguindo, atravessando a Praça da Independência. Foi a segunda vez que me senti seguida de verdade. Mas nesse caso, dei bola para conversar. Entrei no supermercado Casino e o cara ficou na porta, provavelmente, esperando outra pessoa passar para importuná-la.


VISITAS!
- O tour pelo centro da cidade foi agitado, tinha um monte de gente em comemoração aos 10 anos de presidência de Abdoulaye Wade, o terceiro presidente eleito democraticamente. Agora ele não poderá mais se reeleger. À noite, fomos no Restaurante Lagon I para apreciar a vista do mar. Sentamos no pier, mas o vento do Sahara trouxe muita areia e não conseguiamos ver nada. Para pegar táxi houve atrito no grupo. Marcão não quis negociar muito, nem o Kessel estava muito preocupado, mas Raquel, Suelen e eu já estávamos mais interessadas em pagar menos e o Campello não se pronunciava. Em dois taxis fomos ao Just4U, um bar aberto com música ao vivo. Tinha uma audição para um projeto espanhol, então várias bandas tocaram por 20 minutos cada. Teve de rock, rap a salsa. Peguei o contato dos caras da salsa. Ao final, Les Frères Guissé tocaram mbalax! Foi muito divertido. Mas o ápice foi ver o Marcelo Preto dando uma palinha lá em cima, que fez valer a noite! A nossa mesa era grande: Sra. Kátia, Marcelo Preto, Nina, Marcão, eu, Raquel, Suelen, Kessel, Campello e o boliviano Marco também foi. De repente, chegou um dos taxistas com minha máquina fotográfica na mão, dizendo que tinha caído no banco. Agradeci e o Marcão deu dinheiro para ele. Na hora até pensamos: bah, o cara foi honesto! Mas logo me caiu a ficha: no Lagoon a máquina tinha caido no chão e o visor estragado. O cara pensou que não estava funcionando e por isso devolveu, para ganhar uma grana, já que com ela não ganharia nada. hehe! E sem saber o cara fez dois filminhos de seu trajeto de carro.





Nenhum comentário:
Postar um comentário